As Festas da Ordem
Os Cavaleiros de Nossa Senhora, votados ao serviço da Igreja e da Cristandade, celebrarão antes de tudo com fervor as grandes solenidades do ano litúrgico: o Natal e a Epifania, a Páscoa, a Ascensão e o Pentecostes. Mas, como são comuns a todos os Cristãos, acrescentar-se-ão doze festas próprias que se encontram organizadas da seguinte forma:
(Assunção de Nossa Senhora. Castelo de Paiva, Diocese do Porto)
e a arca da aliança foi vista no seu templo.
Apareceu no Céu um sinal grandioso:
uma mulher revestida de sol,
com a lua debaixo dos pés
e uma coroa de doze estrelas na cabeça.
Estava para ser mãe
e gritava com as dores e ânsias da maternidade.
E apareceu no Céu outro sinal:
um enorme dragão cor de fogo,
com sete cabeças e dez chifres
e nas cabeças sete diademas.
A cauda arrastava um terço das estrelas do céu
e lançou-as sobre a terra.
O dragão colocou-se diante da mulher que estava para ser mãe,
para lhe devorar o filho, logo que nascesse.
Ela teve um filho varão,
que há-de reger todas as nações com ceptro de ferro.
O filho foi levado para junto de Deus e do seu trono
e a mulher fugiu para o deserto,
onde Deus lhe tinha preparado um lugar.
E ouvi uma voz poderosa que clamava no Céu:
«Agora chegou a salvação, o poder e a realeza do nosso Deus
e o domínio do seu Ungido».
(do Apocalipse de São João - Ap 11,19a;12,1-6a.10ab)
A Assunção de Maria é um dogma definido por Pio XII em 1950, celebrando a elevação de Nossa Senhora ao céu em corpo e alma. Este mistério, celebrado a 15 de Agosto, é visto como uma participação na Ressurreição de Cristo e uma antecipação da ressurreição dos fiéis (Catecismo da Igreja Católica, 966).
Pio XII referia que “não só os simples fiéis, mas até aqueles que, em certo modo, personificam as nações ou as províncias eclesiásticas, e mesmo não poucos Padres do concílio Vaticano pediram instantemente à Sé Apostólica esta definição”. “Com o decurso do tempo essas petições e votos não diminuíram, antes foram aumentando de dia para dia em número e insistência”, acrescentava na Constituição Apostólica com a qual se deu a definição do dogma da Assunção de Nossa Senhora em corpo e alma ao Céu.
A Assunção da Virgem é uma participação singular na Ressurreição de seu Filho e uma antecipação da ressurreição dos outros cristãos (Catecismo da Igreja Católica, 966). Os Orientais celebram este mistério desde o século V com o nome de “Dormição de Maria”. No calendário da Igreja latina celebra-se, com a categoria de solenidade, a 15 de Agosto.
A Assunção da Mãe de Deus aos céus, no fim da sua vida terrena, foi proclamada Dogma de Fé pelo Papa Pio XII, no dia 1 de Novembro de 1950, por meio da Constituição Munificentissimus Deus:
Definição solene do dogma
"44. Depois de termos dirigido a Deus repetidas súplicas, e de termos invocado a paz do Espírito de verdade, para glória de Deus omnipotente que à Virgem Maria concedeu a sua especial benevolência, para honra do seu Filho, Rei imortal dos séculos e triunfador do pecado e da morte, para aumento da glória da Sua augusta mãe, e para gozo e júbilo de toda a Igreja, com a autoridade de nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados apóstolos S. Pedro e S. Paulo e com a nossa, pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma divinamente revelado que: a imaculada Mãe de Deus, a sempre virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi elevada em corpo e alma à glória celestial.
45. Pelo que, se alguém, o que Deus não permita, ousar, voluntariamente, negar ou pôr em dúvida esta nossa definição, saiba que naufraga na fé divina e católica.
46. Para que chegue ao conhecimento de toda a Igreja esta nossa definição da assunção corpórea da virgem Maria ao céu, queremos que se conservem esta carta para perpétua memória; mandamos também que, aos seus transuntos ou cópias, mesmo impressas, desde que sejam subscritas pela mão de algum notário público, e munidas com o selo de alguma pessoa constituída em dignidade eclesiástica, se lhes dê o mesmo crédito que à presente, se fosse apresentada e mostrada.
47. A ninguém, pois, seja lícito infringir esta nossa declaração, proclamação e definição, ou temerariamente opor-se-lhe e contrariá-la. Se alguém presumir intentá-lo, saiba que incorre na indignação de Deus omnipotente e dos bem-aventurados apóstolos Pedro e Paulo."
(in Constituição Apostólica Munificentissimus Deus).
Oração a Nossa Senhora da Assunção
Ó dulcíssima soberana, Rainha dos Anjos, bem sabemos que, miseráveis pecadores, não éramos dignos de vos possuir neste vale de lágrimas, mas sabemos também que a vossa grandeza não vos faz esquecer a nossa miséria e, no meio de tanta glória, a vossa compaixão, longe de diminuir, aumenta cada vez mais para connosco.
Do alto desse trono em que reinas sobre todos os anjos e santos, volvei para nós os vossos olhos misericordiosos; vede a quantas tempestades e mil perigos estaremos, sem cessar, expostos até o fim de nossa vida! Pelos merecimentos de vossa bendita morte obtende-nos o aumento da fé, da confiança e da santa perseverança na amizade de Deus, para que possamos, um dia, ir beijar os vossos pés e unir as nossas vozes às dos espíritos celestes, para louvar e cantar as vossas glórias eternamente no céu.
Assim seja.
No ano 325, ocorreu o primeiro Concílio Ecuménico na cidade de Nicéia, Ásia Menor. Na ocasião, foi definida a divindade de Cristo contra as heresias de Ario: "Cristo é Deus, Luz da luz, Deus verdadeiro do Deus verdadeiro". Após 1600 anos, em 1925, Pio XI proclamou o modo melhor para superar as injustiças: o reconhecimento da realeza de Cristo. De facto, escreveu: “Visto que as festas têm maior eficácia do que qualquer documento do magistério eclesiástico, por captar a atenção de todos, não só uma vez, mas o ano inteiro, atingem não só o espírito, mas também os corações” (Encíclica Quas primas, 11 de dezembro 1925).
A data original da festa de Cristo Rei era o último domingo de outubro, ou seja, no domingo que precedia a festa de Todos os Santos, mas, com a nova Reforma de 1969, foi transferida para o último domingo do Ano Litúrgico. Desta forma, fica claro que Jesus Cristo, o Rei, é a meta da nossa peregrinação terrena. Os textos bíblicos mudam em todos os três anos, para que possamos conhecer, plenamente, a figura de Jesus.
A Igreja universal celebra a solenidade do Sagrado Coração de Jesus, por pedido explícito do próprio Cristo a santa Margarida Maria Alacoque. São João Paulo II disse que “esta festa lembra o mistério do amor que Deus tem pelos homens de todos os tempos”.
Pio IX, em 1856, estendeu oficialmente a festa do Sagrado Coração de Jesus a toda a Igreja. Em 1899, o papa Leão XIII publicou a encíclica ‘Annum Sacrum’ sobre a consagração da humanidade ao Sagrado Coração de Jesus, que se realizou no mesmo ano.
Do mesmo modo, Pio XI, em 1928, escreveu a ‘Miserentissimus Redemptor’, encíclica que trata da reparação que todos devemos ao Sagrado Coração. E o papa Pio XII, em 1956, publicou a encíclica ‘Haurietis Aquas’, em referência ao culto ao Sagrado Coração.
São João Paulo II em seu pontificado estabeleceu que na Solenidade do Sagrado Coração de Jesus se realize o Dia Mundial de Oração pela Santificação dos Sacerdotes.
(Imaculada Conceição, Mateo Cerezo, c. 1660, Madrid, Museo del Prado)
No dia 8 de dezembro celebra-se a Solenidade da Imaculada Conceição da Bem-aventurada Virgem Maria, um dogma proclamado pelo Papa Pio IX em 8 de dezembro de 1854, na bula “Ineffabilis Deus”, que declara que a Virgem Maria foi livre do pecado original desde o primeiro momento da sua conceção pelos méritos do seu filho Jesus Cristo.
Transcreve-se de seguida a homília do Papa São joão Paulo II, Magno na concelebração eucarística para recordar o 150.º aniversário da definição dogmática da Imaculada Conceição da Virgem Maria em 8 de dezembro de 2004:
«1. "Salve, ó cheia de graça, o Senhor está contigo" (Lc 1, 28).
É com estas palavras do Arcanjo Gabriel que nos dirigimos à Virgem Maria várias vezes por dia. Repetimo-las hoje com alegria fervorosa, na solenidade da Imaculada Conceição, recordando o dia 8 de Dezembro de 1854, quando o Beato Pio IX proclamou este admirável dogma da fé católica, precisamente nesta Basílica do Vaticano.
Saúdo cordialmente quantos se encontram hoje aqui reunidos, em particular os representantes das Sociedades Mariológicas Nacionais, que participaram no Congresso Mariológico Mariano Internacional, organizado pela Pontifícia Academia Mariana.
Além disso, saúdo todos vós aqui presentes, caríssimos Irmãos e Irmãs, que viestes para prestar uma homenagem filial à Virgem Imaculada. Saúdo de maneira especial o Senhor Cardeal Camillo Ruini, a quem renovo os meus bons votos mais cordiais pelo seu jubileu sacerdotal, expressando-lhe toda a minha gratidão pelo serviço que, com dedicação generosa, prestou e continua a prestar à Igreja como meu Vigário-Geral para a Diocese de Roma e como Presidente da Conferência Episcopal Italiana.
2. Como é grandioso o mistério da Imaculada Conceição, que a Liturgia hodierna nos apresenta!
Mistério que não cessa de atrair a contemplação dos fiéis inspira a reflexão dos teólogos. O tema do Congresso agora recordado "Maria de Nazaré acolhe o Filho de Deus na história" favoreceu um aprofundamento da doutrina da concepção imaculada de Maria como pressuposto para o acolhimento no seio virginal do Verbo de Deus encarnado, Salvador do género humano.
"Cheia de graça", "kexaritwmenh": é com este apelativo que, segundo o grego original do Evangelho de Lucas, o Anjo se dirige a Maria. Este é o nome com que Deus, através do seu mensageiro, desejou qualificar a Virgem. Foi desta maneira que Ele a considerou e viu desde sempre, ab aeterno.
3. No hino da Carta aos Efésios, que acaba de ser proclamado, o Apóstolo louva a Deus Pai, porque "nos abençoou com toda a espécie de bênçãos espirituais em Cristo" (1, 3). Com que especialíssima bênção Deus se dirigiu a Maria, desde o princípio dos tempos!
Verdadeiramente bem-aventurada é Maria, entre todas as mulheres (cf. Lc 1,42)!
O Pai escolheu-a em Cristo, antes da criação do mundo, para que fosse santa e imaculada na sua presença, no amor, predestinando-a como primícias para a adopção filial por obra de Jesus Cristo (cf. Ef 1, 4-5).
4. A predestinação de Maria, como a de cada um de nós, é relativa à predestinação do Filho. Cristo é aquela "estirpe" que teria "esmagado a cabeça" da antiga serpente, segundo o livro do Génesis (cf. Gn 3, 15); é o Cordeiro "sem mancha" (cf. Êx 12, 5; 1 Pd 1, 19), imolado para redimir a humanidade do pecado.
Na perspectiva da morte salvífica dele, Maria, sua Mãe, foi preservada do pecado original e de todos os outros pecados. A vitória do novo Adão contém inclusive a da nova Eva, mãe dos redimidos. Deste modo, a Imaculada constitui um sinal de esperança para todos os seres vivos, que derrotaram Satanás por meio do sangue do Cordeiro (cf. Ap 12,11).
5. No dia de hoje, contemplamos a humilde jovem de Nazaré, santa e imaculada na presença do Deus da caridade (cf. Ef 1, 4), aquela "caridade" que, na sua fonte originária, é o próprio Deus, uno e trino.
A Imaculada Conceição da Mãe do Redentor é uma obra sublime da Santíssima Trindade! Na Bula Ineffabilis Deus, Pio IX recorda que o Todo-Poderoso estabeleceu "com um só e único decreto a origem de Maria e a encarnação da Sabedoria divina" (Pii IX Pontificis Maximi Acta, Pars prima, pág. 559).
O "sim" da Virgem ao anúncio do Anjo insere-se na realidade concreta da nossa condição terrestre, em humilde obséquio à vontade divina, de salvar a humanidade não da história, mas sim na história. Efectivamente, preservada imune de toda a mancha de pecado original, a "nova Eva" beneficiou de maneira singular da obra de Cristo como perfeitíssimo Mediador e Salvador. A primeira a ser redimida pelo seu Filho, partícipe na plenitude da sua santidade, Ela já é aquilo que toda a Igreja deseja e espera ser. É o ícone escatológico da Igreja.
6. Por isso a Imaculada, que assinala "o início da Igreja, esposa de Cristo sem mancha e sem ruga, resplandecente de beleza" (Prefácio), precede sempre o Povo de Deus na peregrinação da fé rumo ao Reino dos céus (cf. Lumen gentium, 58; Carta Encíclica Redemptoris Mater, 2).
Na concepção imaculada de Maria, a Igreja vê projectar-se, antecipada no seu membro mais nobre, a graça salvadora da Páscoa.
No acontecimento da Encarnação, encontra indissoluvelmente unidos o Filho e a Mãe: "Aquele que é o seu Senhor e a sua Cabeça e Aquela que, ao pronunciar o primeiro "fiat" (faça-se) da Nova Aliança, prefigura a condição da mesma Igreja, de esposa e de mãe" (Redemptoris Mater, 1).
7. A ti, Virgem Imaculada, por Deus predestinada acima de todas as criaturas como advogada de graça e modelo de santidade para o seu povo, renovo no dia de hoje a confiança de toda a Igreja.
Sê Tu quem orienta os seus filhos na peregrinação da fé, tornando-os cada vez mais obedientes e fiéis à Palavra de Deus.
Sê Tu quem acompanha cada cristão ao longo do caminho da conversão e da santidade, na luta contra o pecado e na busca da verdadeira beleza, que é sempre um sinal e um reflexo da Beleza divina.
Sê Tu, ainda, quem obtem a paz e a salvação para todos os povos. O Pai eterno, que te quis como Mãe imaculada do Redentor, renove também no nosso tempo, por teu intermédio, os prodígios do seu amor misericordioso.
Amém!»
Pode ler aqui a Constituição Apostólica Ineffabilis Deus do Santo Padre Pio IX que proclama este dogma.
(São Miguel Arcanjo, Castel Sant'Angelo, Vaticano)
Quem como Deus?
da Regra da Militia Sanctae Mariae:
CAPÍTULO I
FINS DA ORDEM DE SANTA MARIA
3- É por isso que os cavaleiros reconhecem a Santíssima Virgem como sua própria Dama e Suserana, e como a Soberana da sua Ordem. Unem-se a Ela pelo elo da consagração, da homenagem e da armação de cavaleiro, de modo a tê-la sempre presente como seu perfeito modelo para o imitar e a sua ajuda poderosa para os socorrer
Confiam-se também a guarda do glorioso Arcanjo São Miguel, Príncipe da Cavalaria celeste e vencedor de Satanás; repetem o seu grito de fidelidade e de amor que é também um grito de guerra e de vitória: Quem é um com Deus?; veneram-no e reconhecem-no como o Grão-Mestre da sua Ordem.
São Miguel Arcanjo, príncipe da milícia Celeste e Grão-Mestre da Ordem é geralmente representado na arte religiosa como um guerreiro ou soldado alado, vestido com uma armadura brilhante e empunhando uma espada ou lança para derrotar um dragão ou demónio aos seus pés.
O calendário da Igreja Católica reúne em celebração única os três arcanjos que eram comemorados em dias diferentes. Este dia seria a festa do Arcanjo São Miguel, o antigo padroeiro da sinagoga e agora padroeiro universal da Igreja. São Gabriel é o anjo da Anunciação, e São Rafael é invocado como guia dos que viajam.
Santo Agostinho definiu os anjos da seguinte forma: "Angelus officii nomen est, non naturae", ou seja, Anjo é denominação de encargo, não de natureza. Se nos detivermos pela denominação de natureza, estamos a falar de um espírito; se pensarmos no encargo, então estaremos perante um anjo: alguém que é espírito por aquilo que é, e é anjo por aquilo que faz. Os anjos são, pois, servidores e mensageiros de Deus. Pelo facto que "veem sempre a face do Pai que está no céu".
Lê-se no Evangelho de S. Mateus, que "eles são executores poderosos de suas palavras, são obedientes ao som da sua palavra"(Salmo 103,20). Os anjos, que cantavam em coro na ocasião da criação do mundo visível, tronos da divindade e contempladores da face de Deus, príncipes e governadores do mundo e das nações, não hesitaram em lançar a sua coroa aos pés de Cristo-Rei, e foram feitos por amor para com Ele e Sua Santa Mãe serem os servidores de nossa salvação e nossos companheiros de serviço.
Da mesma forma como serviram Cristo durante a Sua vida terrestre, dignaram-se velar sobre os fiéis, participar nas suas liturgias, iluminar os seus espíritos na oração, afastar as ciladas do demónio. Prepararam assim no meio do mundo a vinda do Rei Jesus que escoltarão novamente no dia da Sua segunda vinda (Dia da sua Parusia).
O terço de São Miguel, que todos nós devemos rezar, invocando os três Arcanjos e as santas hierarquias, e suplicando à Rainha dos Anjos, ajudará imenso os freires a viver em espírito na Cidade Celeste, e revesti-los-á das armas da luz para vencer a tentação e expulsar o diabo”.
Que o Arcanjo São Miguel nos acompanhe na nossa caminhada,
protegei-nos no combate, defendei-nos com o vosso escudo contra as armadilhas e ciladas do demónio. Deus o submeta, instantemente o pedimos; e vós, Príncipe da milícia celeste, pelo divino poder, precipitai no inferno a Satanás e aos outros espíritos malignos que andam pelo mundo procurando perder as almas.
(Natividade de São João Batista, Corrado Giaquinto)
São João Baptista era filho de Zacarias e de Santa Isabel. Chamava-se "Baptista" pelo facto de pregar um batismo de penitência (cf. Lc 3,3).
A Igreja celebra, hoje, a solenidade da Natividade de São João Batista e, dia 29 de agosto, celebrará a memória do seu martírio. São João Baptista é, assim, o único Santo do qual se comemora o nascimento, porque marcou o início do cumprimento das promessas divinas: João, cujo nome significa "Deus é propício", veio à luz em idade avançada de seus pais (cf. Lucas 1,36). Parente de Jesus, foi o precursor do Messias.
É João Baptista que aponta Jesus, dizendo: "Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. Dele é que eu disse: Depois de mim, vem um homem que passou adiante de mim, porque existia antes de mim" (Jo 1,29ss.). De si mesmo deu este testemunho: "Eu sou a voz do que clama no deserto: Endireitai os caminhos do Senhor ..." (Jo 1,22ss.).
São Lucas, no primeiro capítulo de seu Evangelho, narra a conceção, o nascimento e a pregação de João Baptista, marcando assim o advento do Reino de Deus no meio dos homens. A Igreja celebra-o desde os primeiros séculos do cristianismo.
O seu nascimento é celebrado pelo povo com grande júbilo: cantos e danças folclóricas, fogueiras e quermesses fazem da sua festa uma das mais populares e queridas da nossa gente.
No fundo, o próprio Jesus disse: “Em verdade vos digo que entre os nascidos de mulher não há ninguém maior do que João Batista” (cf. Mt 11,11); João Baptista é o último dos grandes Profetas de Israel e é o primeiro a dar testemunho de Jesus e a iniciar o batismo para o perdão dos pecados, sendo neste contexto que ele batizou Jesus.
O Papa Pio IX, no dia 8 de Dezembro de 1870, declarou o glorioso São José, Padroeiro da Igreja Católica. Pio IX, tinha em 08 de Dezembro de 1854, proclamado solenemente o dogma da Imaculada Conceição de Nossa Senhora. Através de Decreto da Congregação dos Sagrados Ritos, o Papa atendeu à solicitação do episcopado do mundo todo, que estava então reunido no Concílio Vaticano I (08/12/1869 a 20/10/1870), os quais rogaram ao Santo Padre que se dignasse constituir São José Padroeiro da Igreja Católica.
Assim se expressou a Sagrada Congregação dos Ritos:
«Assim como Deus constituíra o antigo José, filho do antigo patriarca Jacob, para presidir em toda a terra do Egipto, a fim de conservar o trigo para os povos; assim, chegada a plenitude dos tempos, estando para enviar à terra o seu Unigénito Filho para redenção do mundo, escolheu outro José, de quem o primeiro era figura; constitui-o Senhor e Príncipe de sua casa e de sua possessão, e elegeu-o custódio de seus principais tesouros. José teve, de facto, por esposa a Imaculada Virgem Maria, da qual por virtude do Espírito Santo, nasceu Nosso Senhor Jesus Cristo, que, junto aos homens, se dignou ser julgado filho de José, e lhe foi submisso. E José, não só viu Aquele que tantos reis e profetas desejaram ver, mas conversou com Ele, estreitou-O ao peito com paternal afecto, beijou-O; e, além disso, com extremoso cuidado, alimentou Aquele que devia ser nutrição espiritual e alimento de vida eterna para o povo fiel. Por esta excelsa dignidade, concedida por Deus a seu fidelíssimo Servo, a Igreja, após a Virgem Santíssima, sua Esposa, teve sempre em grande honra e cumulou de louvores o Beatíssimo José, e nas angústias lhe implorou a intercessão. Ora, estando a Igreja, nestes tristíssimos tempos, perseguida em toda parte por inimigos e opressa por tão graves calamidades, a ponto de julgarem os ímpios que as portas do abismo prevaleceram contra Ela, os Bispos de todo o mundo católico, em seu nome e no dos fiéis confiados a seus cuidados, rogaram ao Sumo Pontífice que se dignasse constituir São José Padroeiro da Igreja Católica. Tendo pois eles, no Sagrado Concílio Ecuménico Vaticano I, renovado com maior insistência os mesmos pedidos e desejos, o Santo Padre Pio IX, comovido com a presente e lutuosa condição dos tempos, querendo de modo especial colocar-se a si mesmo e aos fiéis sob o poderosíssimo Patrocínio do Santo Patriarca José e satisfazer os desejos dos Bispos, declarou-o solenemente Padroeiro da Igreja Católica. Elevou a sua festa, que caí a 19 de Março a rito duplo de primeira classe. E, além disso ordenou que esta declaração, feita com o presente decreto da Sagrada Congregação dos Ritos, fosse publicado no dia consagrado à Imaculada Virgem Mãe de Deus, Esposa do castíssimo José.»
Orações a São José:
... do Papa Leão XIII
"A vós, São José, recorremos em nossa tribulação e, depois de ter implorado o auxílio de Vossa Santíssima Esposa, cheios de confiança solicitamos o vosso patrocínio. Por esse laço sagrado de caridade, que os uniu à Virgem Imaculada, Mãe de Deus, pelo amor paternal que tivestes ao Menino Jesus, ardentemente vos suplicamos que lanceis um olhar benigno para a herança que Jesus conquistou com seu sangue, e nos socorrais em nossas necessidades com o vosso auxílio e poder. Protegei, ó Guarda providente da Divina Família, a raça eleita de Jesus Cristo. Afastai para longe de nós, ó Pai amantíssimo, a peste do erro e do vício. Assisti-nos do alto do céu, ó nosso fortíssimo sustentáculo, na luta contra o poder das trevas; assim como outrora salvastes da morte a vida do Menino Jesus, assim também defendei agora a Santa Igreja de Deus contra as ciladas de seus inimigos e contra toda adversidade. Amparai a cada um de nós com o vosso constante patrocínio, a fim de que, a vosso exemplo, e sustentados com vosso auxílio, possamos viver virtuosamente, morrer piedosamente e obter no céu a eterna bem-aventurança. Assim seja."
... do livro A MINHA IGREJA, Prof Felipe de Aquino
"Ó glorioso São José, digno de ser amado, invocado e venerado com especialidade entre todos os santos, pelo primor de vossas virtudes, eminência de vossa glória e poder de vossa intercessão, perante a Santíssima Trindade, perante Jesus Vosso Filho adoptivo, e perante Maria, Vossa Santíssima Esposa, minha Mãe terníssima, tomo-vos hoje por meu advogado junto de ambos, por meu protector e pai, proponho firmemente nunca me esquecer de Vós, honrar-vos todos os dias que Deus me conceder e, fazer quanto em mim estiver para inspirar vossa devoção aos que estão sob o meu encargo. Dignai-vos vo-lo peço ó pai do meu coração, conceder-me a vossa especial protecção e admitir-me entre os vossos mais fervorosos servos. Em todas as minhas acções assisti-me, junto de Jesus e Maria favorecei-me, e na hora da morte não me falteis, por piedade. Amém. Glorioso São José, rogai por nós!"
Pensa-se que São Jorge tenha nascido na Capadócia, Ásia Menor, e tenha vivido no tempo do Imperador Romano, Dioclétio (245-313 d.C.). Filho de um homem que morreu pela Fé, fugiu com a mãe para a Palestina, onde se expôs à cultura romana. Tornou-se então um cavaleiro de elevado grau hierárquico na Legião Romana. Sob ordens do Imperador Romano, recusou-se a perseguir Cristãos, na região onde é hoje a Palestina, sendo por isso preso, torturado e decapitado a 23 de abril de 303 d.C. Conta-se que ao ser torturado fez o sinal da cruz e todas as estátuas dos deuses romanos caíram. A imperatriz Alexandra ao ver este milagre, decidiu converter-se sendo posteriormente morta pelo marido.
São Jorge foi canonizado em 494 d.C., pelo Papa Gelásio proclamando-o um daqueles cujo nome “será referido entre os Homens, mas cujos actos serão conhecidos apenas por Deus”.
A lenda de São Jorge é a lenda alegórica do Bem contra o Mal. O próprio nome vem do Grego e significa homem da Terra.
Conta que um dia o nobre cavaleiro São Jorge cavalgou para a cidade pagã de Silene onde é hoje a Líbia, para descobrir um povo atormentado por um dragão que se alimentava com um cidadão por dia. A próxima vítima seria Cleolinda, a filha do Rei. Mas São Jorge combateu o dragão com coragem moral e física, que um escuteiro deve tentar atingir, libertando o povo do seu opressor convertendo-o ao Cristianismo.
Devotos no mundo inteiro comemoram no dia 23 de Abril, o Dia de São Jorge, o santo padroeiro da Inglaterra, de Portugal, da Catalunha, dos soldados, dos escoteiros e celebrado em canções populares de Caetano. No oriente, São Jorge é venerado desde o século IV e recebeu o honroso título de "Grande Mártir". No Ocidente, na Idade Média, as Cruzadas colocaram São Jorge à frente de suas milícias, como Patrono da Cavalaria.
Embora muitos considerem que sua história não passe de um mito e outros até mesmo acreditem que o santo tenha sido caçado pela Igreja Católica, o martírio de São Jorge e o seu culto continuam sendo reconhecidos pelo catolicismo. A lenda do guerreiro que matou o dragão havia sido rejeitada no século 5 por um concílio, mas persistiu e ganhou enorme popularidade no tempo das Cruzadas. "A imagem actual é fruto de uma lenda. Isso não quer dizer, no entanto, que esse santo não existiu e que o martírio dele não foi significativo", diz o monsenhor Arnaldo Beltrami, vigário episcopal de comunicação da Arquidiocese de São Paulo. No dia 9 de Maio de 1969, a observância do Dia de São Jorge tornou-se opcional, com a reforma do calendário litúrgico, realizada pelo papa Paulo VI. A reforma retirou do calendário litúrgico as comemorações dos santos dos quais não havia documentação histórica, mas apenas relatos tradicionais. Daí ter-se falado, naquele tempo, em "cassação de santos". Mas o fato da celebração do Dia de São Jorge tornar-se opcional não significa o não reconhecimento do santo.
(Icone de São Bento)
São Bento, o patriarca dos monges do Ocidente, é comparado com Abraão, o pai dos crentes, porque Deus o abençoou também com uma posteridade mais numerosa que as areias do mar e as estrelas do céu. Nascido em Núrsia da Úmbria, Itália, pelo ano de 480, de família nobre, consagrou-se aos estudos em Roma; depressa contudo abandonou esta cidade por causa da imoralidade reinante entre os seus condiscípulos, e refugiou-se primeiro em Enfide, aldeia da Sabina, e depois numa caverna existente no vale do Aniene, perto de Subiaco, onde se votou à oração e à penitência.
A Regra de São Bento ensina-nos que a vida gira em torno de dois pilares essenciais: a obediência e o trabalho. A primeira exige do súbdito muita fé e muita humildade; do superior, muita caridade e muita prudência. O trabalho há-de ser espiritual e manual: trabalho interior da alma que se santifica com a oração, a meditação e os louvores divinos; trabalho exterior literário ou manual, que obriga rigorosamente o monge. A Regra de São Bento, é, tal como alguns afirmaram, o «resumo douto e misterioso de toda a doutrina do Evangelho, das instituições dos Santos Padres, de todos os conselhos de perfeição, na qual atingem o seu mais alto apogeu a prudência e a simplicidade, a humildade e o valor, a severidade, a doçura, liberdade e dependência, na qual a correcção encontra toda a firmeza, a condescendência todo o encanto, a voz de comando todo o vigor, a sujeição todo o repoiso, o silêncio a sua gravidade, a palavra a sua graça, a força o seu exercício e a debilidade o seu apoio».
S. Bento morreu no dia 21 de Março de 547. Alma pura que, para vencer as seduções da carne, se lançou, nos anos do seu vigor corporal, sobre espinhos; veio a falecer depois de para si mesmo abrir o sepulcro, seis dias antes da sua morte. Fez que o levassem à igreja, recebeu os Sacramentos e, encostado aos discípulos, morreu para viver eternamente no céu e na terra.
Pio XII chamou-lhe pai da Europa; e desta mesma o constituiu Paulo VI patrono em 1964.
(Aleitação de São Bernando de Claraval Bartolomé | Esteban Murillo | Public Domain)
São Bernardo de Claraval nasceu no ano 1090, em Dijon, França, sendo o terceiro dos sete filhos do cavaleiro Tecelim e de sua esposa Alícia. A sua família era cristã, rica, poderosa e nobre. Desde tenra idade, demonstrou uma inteligência aguçada. Tímido, tornou-se um jovem de boa aparência, educado, culto, piedoso e de carácter recto e piedoso. Mas chamava a atenção pela sabedoria, prudência, poder de persuasão e profunda modéstia.
Quando sua mãe morreu, seus irmãos quiseram seguir a carreira militar, enquanto ele preferiu a vida religiosa, ouvindo o chamado de Deus. Na ocasião, todos os familiares foram contra, principalmente seu pai. Porém, com uma determinação poucas vezes vista, além de convencê-los, trouxe consigo: o pai, os irmãos, primos e vários amigos. Ao todo, trinta pessoas seguiram seus passos, sua confiança na fé em Cristo, e ingressaram no Mosteiro da Ordem de Cister, recém-fundada.
A contribuição de São Bernardo dentro da ordem foi de tão grande magnitude que ele passou a ser considerado o seu segundo fundador. No seu ingresso, em 1113, eram apenas vinte membros e um mosteiro. Dois anos depois, foi enviado para fundar outro na cidade de Claraval, do qual foi eleito abade, ficando na direcção durante trinta e oito anos. Foi um período de abundante florescimento da Ordem, que passou a contar com cento e sessenta e cinco mosteiros. Bernardo sozinho fundou sessenta e oito e, em suas mãos, mais de setecentos religiosos professaram os votos.
(Imagem de São Luis Maria Grignion de Montfort no interior da Basílica de São Pedro, no Vaticano)
Nasceu em 1673 na aldeia de Montfort, em França. Foi educado no colégio da Compenhia de Jesus de Rennes e ordenado padre em 1700. Fundou uma congregação de sacerdotes, a "Companhia de Maria", para o ministério de missões populares, e uma congregação feminina, as "Filhas da Sabedoria".
Foi um missionário infatigável e abnegado que, com missão recebida directamente do Papa, evangelizou a Bretanha e diversas regiões de França ao longo de muitos anos, tendo sofrido inúmeras perseguições, instigadas pelo espírito jansenista que nessa época se tinha infiltrado não só entre os fiéis como entre o clero e até na hierarquia da Igreja de França.
A característica que mais o distinguiu na sua pregação e marca a sua espiritualidade foi a devoção à Virgem Santíssima, com modalidades tão pessoais que fazem dele um caso sem igual na espiritualidade mariana de todos os tempos.
Morreu santamente em 1716. Foi beatificado por Leão XIII em 1888. Pio XII, em 21 de Maio de 1945 realizou a solene canonização do Bem-aventurado Luís Maria Grignion de Montfort.
As imagens de S. Luís Maria Grignion de Montfort apresentam-no com o crucifixo sustentado na mão esquerda. Com o pé direito ele pisa a cabeça de satanás representado em figura humana, tentando destruir um livro sobre o qual se lê o título: “Tratado da Verdadeira Devoção”. O semblante do Santo é sereno. Ele olha o demônio e parece dizer-lhe: “Em vão; tu não o destruirás! A mão direita está estendida e um pouco elevada, apontando o céu num gesto de confirmação daquilo que ele parece nos dizer, isto é, a certeza da vitória sobre o demónio.
(Santa Joana d'Arc na fogueira em famosa pintura assinada por Jules Lenepveu)
“Eu não fiz nada que não me tenha sido ordenado por Deus ou por seus anjos”
Simples, trabalhadora e analfabeta, era uma menina muito rica na vida com Deus, sendo ajudada pelo Arcanjo Miguel e pelas santas de sua devoção, de modo que se deixou trabalhar pela Providência Divina, que a formava para uma especial missão: liderar a libertação dos povos franceses das mãos dos ingleses opressores. Depois de se apresentar ao rei e ser comprovada a sua inspirada intenção, Santa Joana D'Arc recebeu a permissão para liderar o exército francês, o qual na batalha de Orléans conquistou, sob o comando dela, a vitória e a coroa do rei Carlos VII.
Santa Joana quis voltar à sua vida de campo, mas diante da insistência do rei foi liderar o combate em Paris, mas, desta vez, foi ferida, presa, entregue às autoridades inglesas, que através de sacerdotes renegados, manipularam a Igreja e o Governo para conseguirem a condenação na fogueira para Joana. Nos lábios dos mentirosos estava a acusação de blasfema, herege e bruxa, enquanto na boca de Joana, que morria queimada, estava os Santíssimos nomes de Jesus e Maria, morreu em 1431 e, 20 anos mais tarde, foi inocentada pela Igreja que a venera como mártir.
O papa Bento XV, canonizou-a em 16 de maio de 1920 (Bula "Divine Disposent"):
"Por disposição da divina clemência, após um longo período de tempo, enquanto a terrível guerra produzia tantos males, ofereceram um novo sinal da justiça e da misericórdia de Deus aqueles milagres que, operados pela intercessão da “Donzela de Orleans”, definitivamente comprovavam diante dos homens sua inocência, fé, santidade e obediência à vontade de Deus, aquela que tudo suportou, até uma morte cruel e injusta. Portanto, é muito apropriado que Joana D'Arc seja hoje inscrita entre os Santos, para que a partir de seu exemplo, todos os cristãos aprendam que a obediência à vontade de Deus é santa e devota, e obtenham dela a graça de converter seus concidadãos para que obtenham a vida celestial".
Oração a Santa Joana d'Arc:
Santa Joana D’Arc, ajudai-me a vencer as dificuldades no lar, no emprego, no estudo e na vida diária. Ó Santa Joana D’Arc atenda ao meu pedido (pedido). E que nada me obrigue a recuar, quando estou com a razão e a verdade, nem opressões, nem ameaças, nem processos, nem mesmo a fogueira.
Santa Joana D’Arc, iluminai-me, guiai-me, fortalecei-me, defendei-me. Amém!”.
